Uma nova educação
Esta escrita segue um pouco a temática da anterior e, talvez, traga algumas contradições com relação a ela – e, portanto, a mim mesma. Sinto que o assunto "filhos" parece não ter fim. E, de verdade, não tem mesmo. Ele só vai trazendo novas e desafiantes fases.
Dessa vez quem me colocou a refletir foi Elisama Santos, com seu livro "Educação não violenta". De forma didática e repleto de exemplos reais que se encaixam à realidade de muitos pais, mães e cuidadores, a autora esmiuça algum dos pontos trazidos, inclusive, por Marshall Rosenberg em sua obra "Comunicação não-violenta".
Em determinado momento da leitura, a escritora me deu abertura de correr para o último capítulo. Até bem pouco atrás eu não faria isso – a virginiana perfeccionista –, mas resolvi seguir minha vontade e fui. Nele, ela aponta que, antes de se querer fazer mudanças significativas na relação com os filhos, é preciso observar como é a comunicação que temos conosco.
Perfeição não existe, ela diz. Está aqui o grande ponto para mim. Aqui dentro, eu sempre reproduzi e continuei contando para mim a história de que eu gosto das coisas certinhas demais. A autora continua: As falhas continuarão ocorrendo na sua casa, de vez em quando a voz sairá mais alta que o necessário. A vontade de bater, de humilhar ou de se colocar como vítima do mundo também continuará existindo. E o surgimento delas não é uma prova de que você nasceu com defeito. Ufa!
Senti um alívio sim, mas confesso que esse alívio vem carregado de uma cobrança interior, principalmente, quando essas mesmas falhas ocorrem. Parece mais um não aceitar a condição humana. Melhor: um não aceitar que esses erros fazem parte da minha condição de ser humano. É isso. Erros nesse nível de querer bater, gritar, apertar, ser agressiva em algum nível não são vistos e admitidos como "Ok, erramos, vamos tentar novamente amanhã".
Elisama vem segurar minha mão novamente: Nenhuma mudança é instantânea, não se queremos que ela seja duradoura. Como o processo de educar ocorre no dia a dia – assim como as falhas –, os acontecimentos ganham uma intensidade tão grande que algo aqui dentro deseja muito que eu seja a perfeição em pessoa, que minhas ações ganhem leveza e sabedoria para ontem. Aliás, não só com o tema "filhos", mas com diversos outros: família, trabalho, afazeres domésticos, amigos etc.
Até aqui eu mesma já consegui enxergar como é a comunicação que mantenho comigo mesma. Contém pressa, incompreensão, querer acertar a todo e qualquer custo – em uma busca para se evitar, assim, os erros –, cobranças intermináveis, insegurança. É uma lista imensa.
Ao mesmo tempo, vejo que muitas das caracterizações que eu mesma coloco para mim são fruto de anos ouvindo e reproduzindo a mesma história. Aliás, a própria Elisama e outra autora dedicada a falar da maternidade, Rafaela Carvalho, dizem que somos ótimos contadores de histórias. No fim das contas, pode ser que eu seja mesmo essa pessoa que busca a perfeição no que faz, mas talvez eu posso querer me encaixar nesse padrão. Deu para entender?
É como se eu saísse do automático e começasse a tomar consciência da personagem que desenvolvi ao longo dos meus 38 anos. Independente de ser ou não a certinha, eu não sou uma coisa só. Seres humanos são muito mais complexos e vivos. Muito mais dinâmicos e contraditórias do que se pode, enfim, imaginar.
Sinto que está na hora de baixar a guarda e as armas em minha relação comigo mesma, afinal eu continuo sendo quem sou, meus padrões continuam aqui e meus supostos defeitos permanecem existindo. A mudança não ocorrerá do dia para a noite, ainda que eu continue ansiando muito e incansavelmente por isso.

Que possamos escrever nosso livro da vida com uma história real, um livro um pouco amassado, rasgado, rabiscado, mas com cada página registrando a nossa essência, a nossa autoria.
ResponderExcluirCom o que há de mais humano em nós! ❤️
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