Começar de novo e de novo
Nessa estrada cheio de curvas, vários sentimentos e emoções – talvez um pouco desconhecidas – chegaram com intensidade: raiva, irritabilidade, tristeza, cansaço, arrependimento, culpa, insegurança, animosidade, ansiedade e por aí vai.
Filhos mostram muita coisa, uma amiga disse há alguns dias. É isso. Na lida diária com uma criança, vejo que ela acaba mostrando tudo, escancara o que tenho de mais puro, mas também, o que ainda preciso lapidar.
Tê-los, criá-los e educá-los requer muita força de vontade, muita paciência, muito jogo de cintura, muita determinação e, acima de tudo, discernimento para não se cobrar o tempo todo. Tudo muito lindo! Eu tenho isso? Óbvio que não. Talvez esteja aí o motivo dessa avalanche sentimental/emocional.
Foi durante a leitura do livro "Comunicação não-violenta", do psicólogo americano Marshall Rosenberg, que uma chave virou. Não é o comportamento das outras pessoas, e sim nossas próprias necessidades que causam nossos sentimentos. No frigir dos ovos: a causa dos meus sentimentos não está lá fora, muito menos no que o outro faz.
No entanto, confesso que sempre analisei e julguei – e ainda e analiso e julgo – as pessoas, bem como suas atitudes, ao invés de concentrar minha atenção nas minhas necessidades e se elas estão sendo atendidas ou não.
E quais são elas? Achei uma pergunta bem difícil de responder. Nessa rotina da maternidade parece que eu e minhas necessidades se perderam de alguma forma. Aquelas palavras do autor, entretanto, me fizeram parar e pensar sobre essa questão – que, aliás, eu ainda estou refletindo e, talvez, sirva de assunto para uma próxima crônica.
Com a noção do que realmente necessito, a partir do que eu sinto, fica mais fácil de expressar qualquer sentimento, no sentido de me comunicar com o outro de forma mais empática. E é esse um dos pontos trazidos por Marshall em seu livro: nós, seres humanos, de maneira geral, não conseguimos nos comunicar adequadamente porque não entendemos o que sentimos e o que necessitamos e, consequentemente, não sabemos como expressar isso.

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