Meus "60 dias de neblina"


    Assim que engravidei, tomei como lema "não ler nada sobre o assunto maternidade". Que fique claro que era meu norte, minha bússola, meu guia. Ninguém havia sugerido isso. Aliás, a maioria das pessoas dizia exatamente o contrário, que era necessário eu me informar sobre todas as nuances da temática.
    Segui nesse rumo, firme e forte, até o final da gestação. Foi, no entanto, após Cecília nascer que o intento foi repensado. Na realidade, ele perdurou até quando precisou. Melhor ainda, até quando eu precisei. O pensamento por trás disso era, principalmente, não criar expectativas demais: desde a gravidez em si, passando pelo parto, amamentação, até chegar nas trocentas outras coisas vinculadas ao maternar. 
    Foi a indicação de uma amiga, através de seus stories do Instagram, que me fez mudar de ideia. Lembro dela trazer imagens de trechos da introdução de "60 dias de neblina", de Rafaela Carvalho, e que chamaram muito minha atenção. Graças à minha irmã, que também viu a mesma postagem, logo recebi o livro em casa. O presente chegou no momento certo, afinal eu estava vivenciando, de certa forma, os meus 60 dias de neblina.
    A autora consegue escrever com leveza sobre o tão temido puerpério. É com humor e por ter vivido a maternidade quatro vezes que Rafaela faz com que certos assuntos, por vezes complicados de se falar, sejam tratados com a maior naturalidade. Alterações no corpo (t-o-d-a-s elas); necessidades do bebê e da mãe; a falta de sono; choro atrás de choro (dos dois); desejos de que esse período passe rápido e, ao mesmo tempo, devagar; saber lidar com os palpites de fora que não param de chegar; dos primeiros e últimos momentos; da mudança no relacionamento amoroso; do redirecionamento de planos...enfim, as vivências contidas naquelas linhas se encaixando perfeitamente com as minhas.
    Ria em determinados textos e, com extrema facilidade, vertia lágrimas em outros. A sensação era de estar completamente acolhida e abraçada em várias das situações abordadas. Acho que no fim das contas, acabei seguindo muitos dos conselhos ali expostos, por instinto, talvez.
  Curti os meus dias de pijama; saí da sala de parto com uma vida nova em meus braços e com a minha vida, literalmente, transformada; não me forcei TANTO às pressas e pressões de fora; não fui TÃO dura comigo mesma e sinto que não deixei com que os outros também o fossem; algumas visitas tiveram que esperar; levei as coisas no meu ritmo e me deixei levar "rumo ao sol. Porque depois da neblina...Ah! Depois da neblina sempre vem o sol!".
    E ele veio. 

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