Uma vez



    I don't know you. Assim, inicio a crônica de hoje. Uma escrita que vinha sendo formulada aqui dentro há meses e postergada em igual período. O estalo veio por meio de um filme antigo que assisti quando a Irlanda do Norte foi minha morada. Chama Once, foi produzido na República da Irlanda, em 2006, e talvez tenha ganhado destaque maior agora, com Lucas Limas estreando no musical brasileiro de igual nome.
    But I want you. A obra cinematográfica traz um homem e uma mulher que se utilizam da música para retratar de maneira única suas sensações, sentimentos, feridas, medos, desejos e vivências, tendo como pano de fundo o tema relacionamento. Inclusive, quase todas as letras foram compostas e executadas pelos protagonistas, Glen Hansard e Marketa Irglova
    Os trechos da música que trouxeram inspiração para que as palavras corressem soltas pelo teclado chama Falling slowly – na tradução para o português seria algo como "Apaixonando-se lentamente"– e é tocada lindamente pelos atores em uma cena que acontece dentro de uma loja de instrumentos musicais. Assim que o filme terminou, coloquei-a para tocar várias e várias vezes a fim de encaixá-la a minha realidade.
    Minha história de hoje não é sobre relacionamento amoroso no sentido literal da letra dos compositores (se é que eu tenho a audácia de saber sobre o que há por trás da letra deles). De qualquer forma, tratarei aqui sobre relacionamento entre pessoas que não se conhecem ainda, que sequer trocaram uma palavra e nem mesmo olhares. No entanto, é um tipo de relação em que se aguarda um amor incondicional, sem limites.
    Aqui as coisas não se deram assim, elas seguiram o fluxo normal de todo e qualquer relacionamento. Digo de novo, qualquer relacionamento. Apaixonando-se lentamente. Dia após dia. Por meio de sinais, toques, sensações, silêncios. Sem pressão do "tem que", ainda que essa exigência – por vezes interna e também externa – insista em querer prevalecer muitas e muitas vezes.
    Take this sinking boat and point it home. A sensação inicial era literalmente de naufrágio. Acho até que, nessa relação, nós pegamos o mesmo barco naufragante da letra e estamos buscando um rumo juntos, talvez não mais para o lar que ambos conhecíamos. O caminho é totalmente desconhecido. O lar é já outro, é novo. Mas, acredito que seja bem provável que eu consiga enxergar nuances do antigo em algum momento, no decorrer da vida. Dessa vida.
    And I can't go back. Não, não tem retorno. A ligação já aconteceu. Novamente, sem forçar o sentimento. Apaixonando-se lentamente. Aos poucos. Deixando o barco seguir o curso. Conforme deve ser. E está sendo...no nosso tempo. Eu e você. 
    


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