Em busca de mim mesma
A pandemia assolou o país e o mundo no ano de 2020. Assolou a vida de muita gente. Em determinado momento o ficar em casa foi necessário, com os nossos e conosco mesmos. Durante esse período, ocupava-me com o mestrado e, graças a uma amiga, conheci o Vai pra dentro! – programa do YouTube de autoria do psicólogo Marlon Reikdal – e com ele, o significado de autodescobrimento.
Esse
programa era um dos respiros que surgia naquela rotina de escrita e estudos.
Foi por meio dessas tréguas que transformei por completo o rumo de minha
pesquisa e a forma como ela foi publicada. Na época eu não enxerguei isso, é só
agora que muita coisa faz sentido.
Em
um dos seus vídeos iniciais, Marlon traz um aforismo grego – por muitos
atribuído ao filósofo Sócrates – inscrito no pórtico do Templo de Apolo, em
Delfos: “Oh homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo.”.
Essa sentença foi apenas o início de um processo de retomada de aspectos que
estavam escondidos em algum lugar e que eu deixei de acessar há muito tempo.
Recuperar
o gosto pela escrita foi um deles. Deixei de escrever em 2010 e desde então achava
que era uma mania de adolescente e que em mim não cabia mais aquela vontade. Retomar
isso, entretanto, não aconteceu racionalmente. O pano de fundo foi um sonho e
nele o tio Chicão aparecia e me dizia para voltar a escrever como tantas vezes
fez pessoalmente. Era madrugada, mas me levantei da cama, liguei o computador e
comecei a digitar. Assim, a partir de experiências que estavam sendo relatadas
a mim durante o mestrado, construí
uma colcha de retalhos em formato de crônicas que foram publicadas junto à
pesquisa.
O tempo passou. A calamidade causada pela pandemia reduziu. Meus estudos terminaram e junto minha motivação para a escrita. Marlon publicou o livro Em busca de si mesmo dialogando muito com o programa do YouTube. E, nesse ínterim, veio a dúvida: pensei: “como continuar escrevendo?”. Dessa forma, o blog e a conta do Instagram surgiram. E são eles também que contribuíram para que outros aspectos “escondidos” dentro de mim se tornassem visíveis.
A vaidade foi um deles. Nunca me achei uma pessoa vaidosa, no entanto, ao verificar minha constância nas redes sociais e meu desejo por seguidores, visualizações e curtidas, comecei a me questionar o que havia por trás desse comportamento – graças à leitura de Marlon. Algo como uma “vitrine virtual”, diz o autor, onde eu tento mostrar o que acredito ter de melhor, a fim de que os outros – vocês leitores – me aplaudam, me apreciem e me valorizem.
Talvez, se eu não expusesse meus escritos não conseguiria enxergar esse aspecto que faz ser quem sou. Aliás, não é o afastamento das redes ou o deixar de escrever que me fará ser menos vaidosa. Esse não é o ponto que Marlon quer trazer. O negócio é pensar qual o sentido daquilo que estou fazendo, para que eu não me distraia da minha verdadeira intenção: incentivar e divulgar a leitura.
O conteúdo do livro também me fez pensar sobre o tempo que perco pensando lá fora, no outro, bem como responsabilizando o outro, a vida, as instituições, os políticos, as religiões. Analisar e responsabilizar a nós mesmos é muito desafiador. Requer uma postura de suportar quem se é, de acolher-se de fato, com todas as nossas humanidades.
O
processo de autodescobrimento é difícil e não é, palavras de Marlon. É uma
filosofia de vida. É isso que o autor traz logo na capa do livro. Não é uma
tarefa a ser desempenhada, nem descrição de comportamentos e respostas a questionários.
E não tem fim. Nós não chegaremos a lugar algum, não tem pódio, não tem
medalha, muito menos troféu. Aliás, chegaremos sim a um lugar: dentro de nós
mesmos. Vai pra dentro!

Dividir com o outro aquilo que acredita ser relevante, ou seja, compartilhamento de conhecimento é assim que entendo seu blog. Assim como você pontuou no texto, também acredito que a leitura, a literatura nos leva para dentro de nós: quem somos, nossos desejos, sonhos, frustrações, realizações. Por isso, um texto é capaz de mexer com nossas emoções. Confesso que ocorreram mudanças importantes em minha vida por causa de algumas obras literárias, ou seja, literalmente fui pra dentro. Siga com sua conta no Instagram que nos leva ao blog que nos leva ao desejo de conhecer novos textos, novos autores, ou mesmo reler com outros olhos algumas obras que outrora passaram por nós.
ResponderExcluirdepois me dê dicas dessas obras, quem sabe elas não podem aparecer por aqui? Aliás, uma já está na fila (a de Muriel Barbery 😉).
ExcluirSeguirei por aqui, até porque isso tem feito sentido aqui dentro também.
Obrigada!