Um retorno Fácil no tempo
São 4:35 da manhã. O cenário?
Dentro do carro, ao som de Jota Quest,
rumo a cidade onde cresci e vivi grande parte da minha vida. A playlist contém 6 músicas, mas bastou a
primeira – Fácil –
para muitas memórias chegarem “facilmente”.
Jota Quest fez parte da minha adolescência. Desde shows anuais no
Parque de Exposições e do Octopirado,
onde íamos em turma, até tardes inteiras com programação na TV em que
assistíamos clipes aos montes – Disk MTV
e tv Z. E continua, talvez agora com
menos frequência, pela minha vida adulta. A letra está tão firmemente guardada
aqui dentro que o canto flui livremente assim que a canção toca no rádio
do carro.
Um dia feliz, às vezes, é muito raro. Acho que naquela idade, dias
tristes eram muito raros, afinal os encontros vespertinos de trabalho escolar eram
recheados de bolacha passatempo com sorvete e pão de soja da tia Margô com
leite condensado. Sem contar as biritas escondidas. Jogávamos Scotland Yard, Detetive
e muitos outros jogos de tabuleiro, fora as inúmeras partidas de bets na
rua. Os finais de semana tinham sempre um destino certo: o shopping em que a
mesma galera do colégio estava presente e casos amorosos eram o mote de crises
existenciais. Cinema e Praça de alimentação eram os points.
Poucos tinham celulares. WhatsApp, nem pensar. Computador era o
de mesa e lá chats e mensagens
instantâneas aconteciam por meio do mIRC
e do ICQ. Relembrar datas e eventos
especiais? Diários faziam isso com bastante emotividade. Compartilhamento de
música acontecia por meio do Napster
que fez revolucionar a indústria musical. A propósito, festa era festa mesmo se
tinha karaokê. Vergonha, para quê?
As locadoras de vídeo eram
frequentadas com certa assiduidade. Lá se gastava mais tempo na escolha do
filme do que assistindo. Aliás, com uma câmera filmadora fazíamos uma simples
tarde virar um evento: gravamos um lendário comercial de leite – que rendeu
muitas risadas e alguns inconvenientes – e até filmes – um deles bastante inovador:
Women in Black – os quais garantiram indicação
ao Óscar da escola.
Quando os 17 chegaram passamos
a frequentar boates – que trazem um caminhão de histórias – e também carnavais
anuais que aconteciam em uma cidadezinha próxima da capital, em uma pousada que
ficava na rua principal. Um, dois, três, quatros anos. Já perdi a conta. Mas
era sempre a mesma turma, a mesma cidade, tudo era igual. E, definitivamente,
não estávamos tristes, apesar das incontáveis inconstâncias sentimentais que
faziam parte.
A vida parecia ser tão simples e sinto que a tocávamos sem medo, ainda que na composição dos irmãos Wilson Sideral e Rogério Flausino não seja bem assim. Ou pode ser que a minha memória foi “facilmente” tocada pelos momentos em que o medo não estava presente, pois, naquela idade, provavelmente arriscávamos mais. De qualquer forma, isso não é uma tentativa de retornar ao passado e nem de querer vangloriá-lo. É uma simples lembrança indicando aspectos que fizeram parte das minhas vivências e que receio querer resgatar, afinal A vida é tão simples...

Relembrei mt da minha infância, sem shooping é claro…
ResponderExcluirSempre gosto de ler molha!👏👏👏👏
Fico feliz, molho! Por ter feito você recordar a infância e por sempre gostar de ler!
ExcluirSe pode ser tão fácil, por que complicamos tanto? Talvez devêssemos fazer de tempos em tempos um resgate dessas memórias simples, felizes e que marcaram nossas vidas. E por que não repetir alguns momentos nem que seja cantar Jota Quest em voz alta, bem alta. Obrigada por me levar aos 15, 16, 17 anos...
ResponderExcluirBoa pergunta! Às vezes acho que é porque buscamos por certezas e controle das situações. Sei lá... só um pensamento que veio. Mas, é isso, recordar algumas memórias pode nos trazer um sorriso na alma...fico feliz que tenha também resgatado algumas das suas.
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