Tempo perdido?
O sol bate lá fora e Chico se esparrama sobre sua luz. Escuto seu ronco à distância. De dentro do escritório, ao som de Legião Urbana na rádio, paro de fazer as alterações em meu último trabalho para dar atenção à letra : Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou . Tanta coisa ficou para trás. Hoje, aos 34, tento retomar minha biografia em detalhes. Detalhes, não. Tento pinçar memórias, acontecimentos específicos, dores e alegrias, conquistas, mudanças. Tanta coisa aconteceu. Amizades se construíram, outras se findaram. Laços se fizeram. Leituras vieram. Estudo e faculdade trouxeram vivências, encontros e desencontros. Escrita surgiu trazendo conforto e logo se foi. Um intercâmbio apareceu como solução e como respiração. Um novo curso universitário veio, um novo olhar nasceu, um novo começo (ou seria recomeço?) raiou. Um amor aconteceu e permaneceu. Mais estudos e, consequentemente, mais caminhos. A distância, mais uma vez, tornou-se pano de fundo. Um cachorro ...